Obs: sinopse
Capítulo 2
A
escola era pequena, mas aparentava ter muitos estudantes. Quando cheguei na
minha nova classe, a aula já havia
começado.
"Que maravilha, entrar chamando a atenção de todos de uma vez,
não podia ser melhor" pensei eu ironicamente sobre a situação.
Aconteceu
exatamente o que pensei, ao entrar na sala todos me olharam e ficaram cochichando uns com os outros, alguns me olhavam de cima a baixo como se
estivessem me avaliando, outros riam, já
outros possuíam um sorriso terno, de amizade.
—Alunos, esta é a sua nova colega de classe. Ajudem- na com o que for
preciso.- disse o professor dando um sinal que entendi como se fosse o momento
para me apresentar.
—Olá,
eu sou a Melody, espero que possamos ser amigos.- disse eu com um sorriso.
O
professor apontou o meu suposto lugar e imediatamente migrei para lá.
Fiquei em uma mesa ótima, perto de uma das janelas, minha sala ficava no
segundo andar então eu podia ver as florestas ao longe. Fiquei perto de um
lugar vago e na minha frente uma menina que pareceu muito simpática. Quando percebi a aula havia acabado e eu já estava no portão. Vi o carro prata da minha mãe perfeitamente estacionado do outro lado da rua. Corri até ele, já da porta senti o delicioso aroma de torta de maçãs
recém preparada.
—Sabia que você iria gostar. Seus
olhos brilham quando se fala em torta de maçãs, você
e seu pai são realmente muito parecidos
—Claro que iria gostar, torta de maçãs é
minha comida preferida.-disse tentando esconder o rubor de meu rosto.
—Pronta para ir? - Disse minha mãe com um sorriso
travesso, ela com certeza percebeu minha vergonha.
—Sim.
Gloria Gaynor soltou a voz por todo o caminho de volta. Para quem não sabe Gloria Gaynor é uma cantora de disco music dos Estados Unidos da década de 70. Minha mãe a ama e canta todas as músicas certinho mesmo sendo em inglês. Eu não me arriscava ao menos diminuir o volume, pois sabia muito bem que se tocasse naquele som eu receberia “o olhar” o mais fulminante, pior do que ser fuzilada ou receber mil flechas no corpo, o mais ameaçador de todos os olhares de mãe, eu sinceramente não queria mesmo ver aquilo novamente por isso nem respiro quando Gloria está cantando.
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| Gloria Gaynor |
— Vamos filha, cante também. - Disse ao som de “I will survive”. Naquele momento me perguntei se minha mãe era um travesti disfarçado de uma forma muito convincente. Dei um pequeno sorriso graças aos meus pençamentos.
— ...And so you're back, from outer space,
I just walked in to find you here
With that sad look upon your face,
I should've changed that stupid lock,
I should've made you leave your key,
If I had known for just one second
You'd be back to bother me ...And I'll survive, I will survive
Hey, Hey!
Minha mãe é uma super mulher, mas cantar não está entre os seus super poderes, meus ouvidos doem.
Chegamos a casa com Silvia armada com o seu potente e encantador sorriso.
— Como estão? Com fome? Espero. Porque o almoço já está servido.
—Sim Silvia. Estou faminta. - disse minha mãe sorrindo pelas perguntas contínuas de Silvia.- O que temos hoje? Trouxe uma torta de maçãs a preferida do Max e da Mel.
Max era meu pai, ele morreu quando eu era pequena. As duas entraram e eu fiquei olhando uma linda borboleta azul voando baixo vindo em minha direção e pousando em meu ombro.
—Olá papai, como está?- disse olhando a borboleta.
Não me ache louca chamando uma borboleta de pai. Quando minha avó ainda vivia ela me disse que a borboleta está ligada ao outro mundo, com reencarnação e que meu pai tinha virado uma borboleta. Você está pensando que eu sou ingenua por acreditar até agora em algo que pareça mentira, mas eu não me importo. Meu pai amava borboletas e a cor azul, então acredito que ele virou uma linda borboleta azul como essa que está pousada em mim. É muito linda, creio eu que se trata de uma borboleta Morpho Anaxibia.
—O que acha da nossa nova casa?
Sem responder as minhas perguntas ele voou em direção ao jardim. Entrei e fui para a cozinha.
Como sempre, Silvia fez uma comida que com certeza supera a da Ana Maria Braga. A carne de panela é sua especialidade. Você deve pensar o porquê de fazer até comparações sobre a comida que ela faz, morando aqui por apenas dois dias e algumas horas, mas não sei como responder a isso... Eu só sei e tenho certeza da qualidade de sua comida, talvez por estar sempre comendo sozinha .
Como sempre, Silvia fez uma comida que com certeza supera a da Ana Maria Braga. A carne de panela é sua especialidade. Você deve pensar o porquê de fazer até comparações sobre a comida que ela faz, morando aqui por apenas dois dias e algumas horas, mas não sei como responder a isso... Eu só sei e tenho certeza da qualidade de sua comida, talvez por estar sempre comendo sozinha eu adquiri certo conhecimento sobre diferentes paladares, por diferentes comidas e diferentes restaurantes, lanchonetes, serviços fast-food e self-service e sei que nada é melhor do que a boa e velha comida caseira cozinhada com amor.
—Obrigada Silvia. A comida estava deliciosa. – disse levando meu prato para a pia e o lavando, na minha casa a regra é “use e limpe”, então já estava acostumada.
—Não é necessário que faça isso mocinha. - senti as mãos frias de Silvia em meu braço e quase que automaticamente procurei seu rosto. - Esse é meu trabalho.
—Não tem problema, já estou acostumada e você deve estar cansada depois de fazer todo esse farto almoço. - voltei-me a pia novamente.
—Mesmo assim eu insisto da próxima vez apenas deixe em cima da pia já me ajudará muito apenas com isso.
—Sim Silvia. - olhei para ela com um breve sorriso. Pelo que pude perceber esses dias ela gosta realmente de seu trabalho e não aprecia muito quem tenta o fazer em seu lugar, por descuido meu voltei minha mente para a minha antiga vida solitária e sem mordomia alguma.
— Como foram as aulas?- indagou minha mãe com a sua boa e velha caneca de chá verde posicionada perfeitamente entre suas mãos. Muitas vezes já me perguntei se minha mãe tinha descendência inglesa para que goste tanto de chá.
—Boas e o trabalho?- disse sorvendo o resto do suco de pêssego contido em meu copo preferido, um copo que meu pai me deu quando ainda era pequena, então pode imaginar que é totalmente infantil, mas tudo bem, ele ainda continua sendo o meu preferido.
—vamos dizer que as pessoas daqui são completamente saudáveis, não entendo como conseguem!- disse arregalando seus olhos.
— Ar das montanhas?- disse sorrindo mais pela sua cara do que pelo que eu disse. – A lá Floresta Negra. – afirmei me referindo as inúmeras florestas e ao clima daqui que se assemelha ao da Alemanha.
—Na verdade o ar da montanha faz mesmo bem para saúde, mas esqueceu que estamos aos pés da montanha?- alegou bebendo mais um gole do seu chá, senti nos seus olhos que ela estava procurando em mim algum sinal de embaraço. Ela não fazia isso por mal, mas por costume, para falar a verdade eu achava muita graça.
—Sem problemas. Aqui. – esclareci retirando do bolso da minha calça jeans skinny, uma folha de papel A4 dobrado em várias partes e a entregando delicadamente a minha mãe.
—Vamos ver... - disse desdobrando o papel. - viagem à montanha, é?
—Sim vamos fazer uma excursão para estudar a biodiversidade e o relevo. - falei tentando imitar ao máximo minha professora de geografia que é fanhosa.
—Claro, pode ir divirta-se. Vocês ficarão o dia todo e voltarão no sábado de manhã... Divirta-se e juízo!
Mamãe é mesmo uma bela mulher. Percebeu que nesta excursão eu poderia fazer mais amigos e me adaptarei melhor a este lugar, por isso quase nem pensou ao responder.
—Sim, mama. - disse com um sorriso. Eu tenho este costume de falar o nome mãe em vários idiomas. Na maioria das vezes mãe é uma palavra única em meu vocabulário de certo idioma.
A excursão será amanhã e eu ainda tenho que fazer vários preparativos.
A excursão será amanhã e eu ainda tenho que fazer vários preparativos.
—Vou subir agora, tenho de fazer algumas coisas antes da excursão.


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