O dia chegou!

       Obs: sinopse

                     Capítulo 3


Estou muito cansada e amanhã teria que acordar mais cedo para a excursão. Me sinto ansiosa e um pouco nervosa, eu não conheço praticamente ninguém. Você já se sentiu assim? Completamente fora dos círculos sociais? Eu já me senti muito assim, pensei que aqui poderia ser diferente, mas eu não tinha pensado bem nessa história de como seria tentar fazer amizade. Mas quer saber, amanhã de manhã vou vestir minha armadura, fazer a melhor cara de corajosa que conseguir e olhar para frente ou para o céu, que tem um poder especial de acalmar corações inquietos. Vou afastar de minha mente pensamentos melancólicos, pois só servem para me deixar para baixo, vou me atirar no precipício e cair de cara na sociedade, sendo eu e somente eu, não preciso ser melhor que ninguém ou mais bonita que ninguém, não preciso ter amigos de aparências, por isso vou ser eu mesma.
Ser eu mesma... ser eu mesma... ser eu mesma. Dormi com esta frase na minha mente, era como um grito de guerra, algo para me encorajar.
Acordei ao som de “Dc, na rádio que toca o seu coração”, meu despertador é um rádio relógio e este Dc é o homem que anuncia as músicas, são seis horas agora. Arrumo-me, pego minha mochila e desço para a cozinha. É incrível o quanto a Sra. Silvia acorda cedo. Quando chego na cozinha me deparo com a mesa posta, tudo cheira a fresco.
---Aqui, sente-se. - disse sra. Silvia puxando a cadeira.- Acabei de fazer um bolo de cenoura e alguns pãezinhos de alho.- completou com um sorriso.
Meu estômago apreciou o que meus olhos viram e deu um longo ronco. Coro de vergonha com facilidade e desta vez não foi diferente, não acredito que meu estômago foi tão barulhento.
Sra. Silvia deu um pequeno risinho de satisfação por saber que sua comida era bem-vinda. Sentei e devolvi outro sorriso, este de vergonha.
--- Obrigado por este maravilhoso café da manhã Silvia.- disse quando terminei de comer.
--- Eu que tenho que agradecê-la por apreciá-lo. – respondeu
Saí correndo para encontrar mamãe já pronta, arrumando alguns papéis em sua bolsa.
---Acordou mais cedo que eu, mom?
---Sim, tinha que terminar alguns relatórios. Agora vamos?
---Vamos.
Silvia nos acompanhou até a porta e deu um terno abraço de avó em cada uma de nós, nos desejou um bom dia e então seguimos nosso caminho.
--- Ansiosa filha?
---Não mais. Percebi que o que tem que ser será. Vou ser eu quer gostem de mim ou não!
---Claro que vão gostar. Você é a minha pérola, algo precioso. Se não gostarem, eles é que vão perder e muito.
---Obrigada pelo apoio mom!
---Hoje é inglês?- disse se referindo ao jeito como eu estava a chamando.
---Sim, eu acho a palavra mom muito fofa, mais do que mother.
---Também gostei, esta vale duas semanas, não acha?- mamãe está acostumada a ser chamada de vários modos diferentes e os classifica, se gosta de um deixa uma semana ou duas, se não gosta uma dia.
---Sim. Com certeza.
---O que quer ouvir nesta manhã de sexta-feira, com um lindo sol apontando do leste e aqueles maravilhosos pássaros cantando ao longe?- mãe ás vezes falava assim, como uma daquelas radialistas, é engraçado ouvir.
---Vamos ver. - disse conectando meu MP4 ao veículo. - Clássico?
---Se você quiser aceitarei felicíssima.
---Então deixe me ver... aqui está, super clássico.- disse com um pequeno sorrisinho.
Segundos depois o rei do rock clássico, o grande Elvis, começa a cantar.
---Isso é que é música. - completo me referindo as músicas de drag queen de minha mãe.
----Ha, ha, ha. - disse sarcástica- muito engraçado. Como você ousa falar mal de “I will survive”?
---Por que sei que eu tenho este poder. - respondi risonha, não acreditava que estava brincando com a música preferida da minha mãe, mas já que já tinha começado.
---Tudo bem, o que posso fazer se te amo mais do que esta música. - disse mamãe levantando os ombros.
---Também te amo, drag queen que se passa por minha mom.- disse sorrindo
---Aquela música não é de drag queen.
---Sei, então por que todo gay gosta dela?
---Sei lá.
---Viu! - ri mais ainda e mamãe me acompanhou.
Com isso chegamos na escola, exatamente no horário marcado, nem um minuto a mais ou a menos, eu me gabei para mamãe dizendo quanto somos pontuais.
Entrei no ônibus e procurei um lugar, fixada em cada poltrona se encontrava uma folha sulfite com um nome impresso.Com passos vagarosos vasculhei com o olhar as poltronas por onde passava.



    Ana          Bruno            Cateriny
            Carlos          Daniel
                        ...

               Luna        Melody

Pronto, havia chegado. Sentado na poltrona ao lado da que possuía meu nome, um garoto. Não me lembrava dele das aulas, não conseguia ver seu nome, ele era sutilmente familiar. Estava perdido em pensamentos, olhando fixamente para os carvalhos ao longe. Sentei na poltrona e comecei a procurar meu MP4  na mochila.
—Melody?- perguntou uma voz masculina a minha direita.
—Sim… Olá!?- disse um pouco desconcertada.
---Olá. Meu nome é Arthur.
---Arthur. Não deveria estar na poltrona da frente?
---Sim. – sorriu - Luna não se importa.
---Se você diz. Faz pouco tempo que conheci a todos e não consigo entender nada do que acontece aqui ainda. – sorri - mas, gosto deste lugar eu me sinto em casa.
--- Com o tempo criará amigos e fico feliz que sente em casa. Nasci aqui e estou fadado a passar o resto da minha vida aqui. -disse com certo pesar na última parte, nesta seus olhos ficaram frios como o gelo, senti como eu fosse a culpada.
--- Seus pais querem que você continue algum negócio de família?
---De certa forma sim. - uma pausa, voltou o olhar para a floresta depois pra mim. - Loja de antiguidades.
---Nunca fui a uma loja de antiguidades. Deve ser cheia de história.
---É claro -disse com tom irônico - e poeira, não se esqueça do mofo histórico.
---Mofo histórico!? – disse rindo - você é engraçado.
---Não acharia engraçado se você visse. - disse se rendendo a graça.
        Senti os olhares pesados das pessoas que passavam. Senti-me envergonhada; os olhares principalmente das garotas misturavam inveja e ódio, com certeza queriam estar em meu lugar. Olhei para o lado, Arthur estava me oferecendo um livro.
--- Aqui. Estamos estudando sobre este livro na aula de literatura. – disse me entregando o livro.
Examinei cuidadosamente a capa do livro. O morro dos ventos uivantes. Bem clichê, pensei.
---Pode ficar com este se ainda não tiver.
---Mas e você? Não irá precisar?- perguntei devolvendo o livro.
Ele balançou levemente a cabeça, em um movimento que representava um não.
---Já li ano passado. A professora de literatura passa os mesmos livros todos os anos. – disse como se estivesse entediado daquilo.
---Obrigada, então. –disse examinado o livro.
_Você é bem esquisito, hein. –sorri - costuma ser simpático e se preocupar com as aulas de literatura de garotas que nunca viu na vida?
_ Não, só de garotas chamadas Melody.- sorriu distraidamente.
_ Claro, Melody é um nome que desperta este tipo de reação nos garotos.
_ E a garota com esse nome que desperta outros tipos de reações em mim. – disse me olhando fixamente.
Naquele momento não sabia se ele estava apenas brincando comigo ou se dizia a verdade...
Pra falar a verdade, não me importava o que ele sentia, nunca tinha o visto, não sei como realmente ele é... talvez eu esteja um pouco interessada... Ele é de ótima aparência... Simpático... No fundo do meu se, era como se eu já o conhecesse de algum lugar, mas de onde? ... Não. Estou me enganando.
Não consegui me conter e senti meu rosto queimar. Rapidamente fugi dos seus olhos e virei meu rosto para frente. Do canto do meu olho pude vê-lo com um sorriso de satisfação estampado no rosto. Era mentira o que havia dito, ele só queria  me deixar envergonhada. Quase que de maneira automática as extremidades dos meus lábios arquearam milímetros, sorri discretamente por ter caído naquela brincadeira que conhecia a tempos.
---Acho que um “vem sempre aqui” não seria algo propício no momento e lugar, concorda?- disse em tom sério
---Acho que está certo. – respondi em tom sarcástico combinado com o dele.
Ambo caímos nas gargalhadas. Agora a atenção quase que unânime estava em nós. Os olhares afiados das garotas agora cortavam como uma antiga katana reluzente.
---Você é bem famoso aqui né?- Uma arte de mim se referia aos alunos em geral e a outra se restringia apenas as garotas.
---Pode se dizer que sim. É o que se ganha sendo o presidente do conselho estudantil. Eu nunca quis ser, mas acabei sedendo por pressão dos meus ilustres colegas.- sorriu

---Uau! Então estou falando com o presidente, será que sou digna?- falei com expressão de uma beata ao ver uma imagem.

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